Certo dia eu caminhava pelas ruas de São Paulo, quando notei um casal que se aproximava de mim. Pela aparência não desconfiei que fossem estrangeiros, mas mesmo assim imaginei que perguntariam algo, o que realmente aconteceu. Só não imaginava a forma como iriam fazer isso. Dispararam a queima-roupa uma pergunta em inglês que, deduzo, se parecia com isso:

– Hey, how can we go to (e disseram o nome de um lugar que não me lembro)?

“Hey”?? Mas espera aí! Será que aboliram todas as regras de cortesia? Eu tenho um nome e caminhava com um objetivo. Iria parar minha marcha para tentar ajudá-los. E ainda pior, em um idioma que não é todo mundo que fala no país que ELES escolheram pra passear. Se eram eles quem precisavam da informação, que pedissem isso com um mínimo de educação pelo menos. Que tal um

– Please, do you speak english?

ou ainda melhor:

– Desculpe, fala inglês?

Francamente, nem lembro o que respondi a eles, mas creio ter sido algo próximo a um…

– No, no.

Antes de viajarmos a Paris fomos alertados que, apesar de educados e prestativos, os franceses não eram muito amistosos com turistas e não gostavam muito de dar respostas em outro idioma que não fosse o francês. Não sabíamos se era verdade, então resolvemos ser precavidos durante a viagem, e como não falávamos nada em francês, sempre nos dirigimos aos parisienses assim:

– Excusez-moi, parlez-vouz anglais?

ou

– Please, do you speak english?

Sempre obtivemos como resposta um “Yes” acompanhado de um sorriso, e depois disso, uma resposta clara e detalhada a cerca de nossa dúvida. Certo dia, pedimos uma informação a uma policial francesa:

– Excusez-moi, Jardin du Luxembourg?

Ela, vendo que não falávamos francês, respondeu de forma militar, mas sem ser rude, com todo o cuidado, incluindo alguns gestos elucidativos na resposta:

– Un, deux, trois… droite.

Entendemos que ela disse um, dois, três, direita, referindo-se ao número de ruas que deveríamos atravessar, e depois virar à direita. Em seguida, apenas com o olhar, perguntou se havíamos entendido. Respondemos que sim, agradecemos em francês, claro, e conseguimos chegar facilmente aos Jardins de Luxemburgo. Ela não tinha nenhuma obrigação de ser simpática, mas como perguntamos de forma respeitosa, nos deu uma resposta clara e precisa. E era disso que precisávamos.

O número de turistas em Paris é imenso, e às vezes me pergunto se não é comum ocorrer com os parisienses algo parecido com o que ocorreu comigo ainda quando estava em São Paulo, com o casal de estrangeiros? Afinal, não tivemos nenhum incidente diplomático com ninguém lá fora…